TRADUÇÃO VERSÃO

                 WATTPAD

CAPÍTULO 1

       SONHO DO COMEÇO

Ele sentiu cheiro de sangue.

Soule olhou para baixo, para suas mãos. Grossas gotas de sangue pingavam de ambas suas mãos.

De quem é esse sangue?

É meu? Ou dos outros?

 

Mais sangue jorrou de seu corpo já encharcado.

Não doía. Ao invés disso, seu coração martelava furiosamente. Os lábios de Soule estremeceram.

 

“Hah...haha.”

 

Ele queria chorar. Ao invés disso, o lado de seus lábios se curvaram na forma de um sorriso.

 

Soule olhou para cima, atordoado.

Ele viu uma enorme figura em sua frente. Caroços pretos brilharam e riram para ele.

 

Soule soube como isso iria acabar.

Essas coisas iriam engolir tudo que ele tivesse e “consumir o mundo.”

Era inútil resistir. Era como uma história com um final predestinado.

 

Conforme Soule estava perdido em seus pensamentos, a forma escura rodopiava em volta dele ainda mais violentamente que antes.

 

Swooosh!

O vento avançou contra suas bochechas. O desespero estava se aproximando.

A visão de Soule ficou borrada contra a forte rajada de vento. Estava ficando ainda mais difícil manter os olhos abertos. Soule tentou erguer seus braços para proteger a si mesmo do vento.

A pausa foi por apenas um breve momento.

 

O vento afiado cortou dentro de sua pele e a fez bater no ar como se fosse um trapo. Soule quase poderia rir de seu próprio desespero contra o caos insondável.

 

Mesmo assim... ele continuou determinado a proteger a todos.

 

Soule recordou de suas memórias enquanto se pendurava em seu último retalho de consciência.

O que ele disse aos membros incontáveis vezes.

 

Está tudo bem. Eu irei resolver de alguma forma...

 

Isso era o que ele sempre dizia. Os membros então iriam sorrir brilhantemente apesar de sua situação sombria.

 

Eu preciso pensar. Eu preciso pensar.

 

O que eu devo fazer? Como posso mudar meu destino predestinado?

Soule sufocou novamente em sua risada oca e olhou fixamente.

*

“Hã...!”

 

Soule se sentou. Ele se encontrou sem ar enquanto um calafrio percorria sua espinha. Ele olhou em seus arredores.

Se foram a terra vazia e as formas negras de antes.

 

Apenas então, uma voz baixa soou ao lado dele.

 

“Que tipo de sonho...”

 

Soule imediatamente virou sua cabeça na direção da voz.

 

“...você estava tendo?”

 

Ele se encontrou olhando para um rosto fino com longos olhos sem pálpebras duplas. Era Eugene.

 

Ele conseguia ouvir os carros passando, Taho falando, e Viken apanhando seus lanches.

Soule suspirou profundamente.

A mundanidade corria por suas veias conforme ele sentia as sensações familiares uma por uma.

 

Ah, estou na van.

 

Ele finalmente se sentia aliviado.

Soule relaxou seus ombros rígidos.

 

Conforme a tensão quebrava, ele encontrou seus lábios se curvando em um sorriso fraco.

 

O assento de Eugene sempre foi ao lado de Soule na van. Eugene raramente sorria, mas aqui estava ele, dando a Soule um sorriso iluminado e tranquilizador.

 

Você nem gosta de sorrir...

 

Grato, Soule descansou sua cabeça nos ombros fortes de Eugene, que eram bem esculpidos graças as suas sessões regulares de malhação.

 

Eugene resmungou como se estivesse incomodado.

 

“Ei. Sua cabeça está pesada. Saia.”

“Não quero”

“Ei.”

 

Eugene suspirou. Soule reprimiu um sorriso.

Se Eugene realmente não quisesse, ele poderia ter o empurrado longe. Mas ele não o fez.

Era assim que Eugene era.

Ele era como um urso irmão mais velho. Apesar de Eugene parecer rude e feroz por fora, lá no fundo ele era, na verdade, extremamente gentil e coração mole.

 

Eugene bateu nas costas de Viken quando o último fez essa observação pela primeira vez. O anterior bufou conforme perguntava por que estava sendo comparado com um animal.

 

Apenas os membros conheciam esse lado do Eugene.

Ele era como um segredo compartilhado apenas entre eles.

Soule sorriu, incapaz de conter sua animação.

 

“Do que você está sorrindo?”

“Hehe. Seu ombro é tão rígido.”

“Então saia.”

“Mas é confortável. Apenas da altura certa.”

“Sério...”

 

Apesar de seus resmungos, Eugene não o afastou.

Soule sorriu e se apoiou mais perto de Eugene.

 

Eles ficaram assim por um tempo. Eugene observou Soule por um tempo antes dele comentar,

 

“Bem, agora você está sorrindo um pouco.”

 

Soule piscou como se não tivesse entendido. Sua cabeça deslizou para baixo levemente. Eugene levemente levantou Soule pela sua testa e apoiou sua cabeça de volta para seu ombro.

 

“Você estava realmente se esforçando, você sabe. Você dorme como um bebê. E então você começou a gemer. Eu estava para te acordar quando seus olhos de repente se abriram. Você me assustou pra caramba.”

“Foi tão ruim assim? Eu vejo...”

 

Soule suspirou. Ele tem tido muitos pesadelos frequentes ultimamente.

 

“Acho que pode ser o estresse. Tenho tido pesadelos muito estranhos.”

“Que tipo de pesadelos?”

“Hum. Bem, estou no meio de lugares desertos.”

 

Soule lentamente começa a explicar seus sonhos.

 

“Eu tento parar alguma coisa, mas não consigo.”

 

Conforme ele recordava do sonho desaparecendo, a inquietação começa a se rastejar mais uma vez.

Soule olhou para suas mãos.

O sangue vermelho e pegajoso que as tinham manchado havia agora desaparecido.

Mesmo assim, os olhos de Soule estremeceram com o ataque repentino de inquietação.

Sua visão começou a embaçar.

A estrada de asfalto através do para brisa da van parece aumentar para o engolir inteiro.

Soule agarrou seus braços e começou a murmurar.

 

“Não é hora pra isso. Eu preciso pensar. Pensar...”

 

Então, uma mão firme, porém suave, tocou as bochechas de Soule.

 

“Ei, você. Você está mesmo bem? É realmente apenas um pesadelo?”

 

Soule saiu de seu transe conforme era trazido de volta para a realidade pelas mãos aquecidas de Eugene.

Ele sacudiu sua cabeça vigorosamente.

 

“Não. Não. É só um pesadelo comum. Não se preocupe, Eugene.”

Soule deu a ele um sorriso estranho.

Ele podia sentir os pesadelos repetitivos o drenando mentalmente.

Ele havia perdido muito peso em um curto espaço de tempo e algumas vezes sofria alucinações.

 

Soule podia não admitir, não quando todos estavam ouvindo.

Viken e Taho, que eram os menos expressivos, fingiam não se importar. Mas, Soule sabia. O foco de todos estava nele.

 

Só de olhar um pouco mais perto, já dizia.

Os fones de ouvido de Taho estavam fora de seu ouvido enquanto o telefone de Viken estava parado na mesma tela a um tempo. Avys, o membro mais jovem, sentou com seus olhos fechados, ainda fingindo que estava dormindo mesmo que estivesse acordado a um momento atrás. Soule achou isso bem fofo.

 

Como o líder, ele não queria que seus outros membros se preocupassem.

 

“Está tudo bem. Um sonho é um sonho. Para ser sincero, para todos nós da Star One, a realidade não é mais assustadora que um pesadelo, não é?”

 

Taho vacilou enquanto Viken quase deixou cair seu celular com o comentário de Soule. As pálpebras de Avys contraíram levemente.

 

“Nós estamos andando em uma corda bamba aqui. Tudo está no limite.”

 

Eugene suspirou.

 

“É verdade.”

“Não importa o quanto dancemos ou cantemos, o mercado de hoje é todo para idols mágicos.”

 

Soule sorriu amargamente. Eles eram verdadeiramente em uma perda.

 

Idol mágico.

Um novo tipo de ocupação que não existia antes.

Soule descansou seu queixo em cima de suas mãos conforme ele olhava para a janela.

 

Através do vidro sombreado, ele podia ver a estrada que estava tão congestionada quanto suas frustrações.

***

O mundo virou de ponta cabeça 10 anos atrás.

A Terra se dividiu e se reintegrou repetidamente.

O choque enviou o solo cambaleando e muitos perderam suas memórias.

Soule foi um deles. Soule não tem nenhuma lembrança do que aconteceu. Era quase como se alguém tivesse deletado de seu banco de memórias. Ninguém podia apontar o motivo da mudança. O que estava claro, contudo, era que o mundo jamais poderia voltar para o que ele uma vez foi.

Uma das maiores mudanças que veio era “a magia.” As pessoas podiam realizar mágicas assim como viram uma vez nos filmes e nas novelas. Todos estavam em êxtase.

 

Os estudiosos haviam declarado, “A mágica deve ser o início de uma nova era. Com magia, a humanidade poderia alcançar um espaço que ninguém jamais se aventurou.”

 

As empreendedoras perguntaram, depois disso, “Vocês realizam pesquisas em mágica? Vocês precisam de dinheiro? Pagaremos por isso. Em troca, nos dê os direitos de usar suas descobertas.”

 

E então, com a descoberta, os estudiosos fizeram todo o tipo de estudos. Mas, a realidade era menos mágica.

A magia permaneceu não mais do que um simples truque. A maioria daqueles que haviam investido nela por pouco não foram à falência.

 

Enquanto a maioria deles falharam, algumas grandes instituições de pesquisa de magia ainda permaneceram abertas.

Aquilo deu início a teorias de conspiração,

Uma delas sendo que “Há uma organização misteriosa que treina em magia, e eles comandam a Black Water. A humanidade existe apenas sob sua vigilância” e mais.

 

Mas estes eram meros rumores.

 

Alguns anos passaram desde que o boom da pesquisa morreu, quando a magia deu origem a uma nova cultura em um lugar inesperado.

 

A magia entrou no ramo do entretenimento.

Embora tenha perdido sua antiga glória como “a esperança da humanidade” e “o epítome da civilização humana,” ela encontrou seu nicho.

***

Soule sorriu amargamente.

Idol mágico.

 

Eles estavam no topo. Soule não poderia alcançar onde eles estavam. Conforme eles estavam voando pelo palco na chuva de luz das estrelas cintilantes.

 

Os idols mágicos podiam cantar em tons extraordinariamente altos e ajustar suas aparências para fazê-los ainda mais bonitos.

O mundo foi à loucura com a primeira aparição dos idols mágicos, que rapidamente substituíram os tradicionais artistas que não conseguiam usar a magia.

 

Embora ainda se pudesse encontrar idols não-mágicos, isto se tornou muito raro.

 

Idols sem-magia num mundo de idols mágicos. Idols com limites. Essa era Star One, que Soule fazia parte.

 

“Soule.”

 

Eugene o chamou.

Soule desviou seus olhos do vidro.

 

“Eu vi este adesivo na esquina de uma loja de conveniência. Ele disse que podem ensinar magia por apenas 3 milhões de won.”

“Eugene, isso é apenas um golpe.”

“Eu sei. Mas com nossa situação assim, é só algo que veio a mente.”

 

Todos estavam desesperados.

 

Se eles pudessem usar magia, toda a discriminação e condescendência que eles enfrentaram iriam desaparecer.

Eugene coçou sua cabeça conforme perguntava.

 

“Somos os únicos idols que não conseguem usar magia agora, não somos?”

“Sim. Haviam alguns poucos quando debutamos pela primeira vez. Todos eles se foram agora.”

 

Então, Soule não pôde evitar se sentir frustrado. Ele perguntou a Eugene,

 

“Eugene. Não parece que somos de tempos antigos?”

“O que você quer dizer?”

“É só... Nós somos como fósseis do que os idols eram como nos tempos antigos.”

 

Soule suspirou.

 

“As pessoas estão criticando nossa performance por não usarmos magia.”

 

O que? Sem efeitos mágicos? Vocês sabem o quanto custa este ingresso? Isso é uma piada?

Vocês conseguem se denominar idols? Tsc....

Grupos assim não podem apenas dar disband? Sua companhia de gestão sequer pensa em ganhar dinheiro?

 

Os membros do Star One se tornaram mais e mais desanimados pelos murmúrios da equipe da TV.

 

“Não é como se fosse ilegal não ter magia...”

 

Eugene acenou para o comentário de Soule.

 

“Eles tratam como se fosse.”
“É.”

 

Com o público crescendo cada vez mais frio para eles, os membros mais novos começaram a agir mais perigosamente, enquanto Soule começou a sofrer de pesadelos incessantes.

Ele estava frustrado com a realidade onde mesmo com seu canto e dança feitos de todo o coração, as pessoas se viraram contra eles porque lhes faltava magia.

 

Talvez tudo seria mais suportável se ele pudesse ao menos não ter o pesadelo. Mas, o sonho horrivelmente lúcido permanecia.
Ou aquilo era realmente um sonho...?

 

Ugh, droga.

 

Soule descansou sua cabeça contra o vidro. Possivelmente era o frio do vidro. Mas sua cabeça começou a clarear.

Eu deveria estar pensando no que é mais importante.

 

Agora, o mais importante é o sucesso do Star One.

 

Soule deixou sair um suspiro trabalhado conforme ele se apoiava contra a janela. Ele sentia como se estivesse sendo pressionado de todos os lados.

Soule falou com Eugene como se estivesse tranquilizando a si mesmo.

 

“Eugene, devemos fazer apenas o que podemos fazer. Se idols mágicos são como aviões, nós somos como carros. Podemos ser lerdos, mas devemos ir o mais rápido que podemos.”

 

Eugene permaneceu em silêncio.

Soule abriu seus punhos. Eugene podia ver pequenas gotas de sangue caírem na sua palma de suas unhas.

Soule rapidamente limpou o sangue. Ele podia sentir a dor maçante e latejante em suas palmas. Ele não ligava.

Se as coisas não funcionarem, ele poderia fazer as coisas funcionarem. O mundo sujo. Ele iria mostrar a eles do que ele era capaz.

 

“Assim como esse carro agora...”

 

Soule murmurou conforme olhava para cima.

Que estranho. Ele teve arrepios de repente.

 

O que foi isso?

 

Ele não teve tempo para pensar. O carro havia parado. Soule agarrou seu cinto de segurança imediatamente.

Screeeeeech.

Ele pôde ouvir o som agudo de uma pausa. Todos avançaram no carro.

 

CAPÍTULO 2 - UM GRUPO

            IDOL SEM MAGIA

Screeeech.

 

O carro continuou derrapando pela estrada. O corpo de Soule balançou enquanto seu cabelo voava pelo ar. Ele conseguia sentir o cheiro dos pneus queimando pela janela aberta.

Quando o carro finalmente parou, Soule se virou para olhar os outros membros.

 

“Ugh... estão todos bem?”

 

Felizmente, todos estavam se segurando em alguma coisa. Mesmo assim, levou um tempo para eles voltarem aos sentidos e responderem.

 

“Ah, estou bem.”

 

Eugene respondeu, seguido por Viken, Taho e Avys.

 

“Eu também.”

“Eu também.”

“Eu estou preso. Droga.”

 

Parecia que todos estavam bem ao menos para falar. Soule conferiu os demais membros se estavam bem. Ele então colocou sua mão em Viken, que disse que estava preso entre os assentos.

 

“Eu vou tentar te puxar pra fora.”

“Ah, okay.”

 

Quando ele puxou, Viken conseguiu se libertar.

Soule estava aliviado por ver que todos estavam bem, até que se deu conta de uma coisa.

Os membros não eram os únicos que estavam na van. Soule imediatamente gritou para o assento do motorista.

 

“Cara! Você está bem?”

“Ugh...”

 

O empresário estava semi-inconsciente no assento do motorista.

Soule rapidamente se arrastou até a frente. O empresário estava tremendo com suas mãos ainda no volante.

 

“Você está ferido?”

 

O empresário permaneceu sem fala conforme Soule olhava apressadamente ao redor. Parecia que nenhuma janela havia sido quebrada. A van também não parecia danificada. Soule também não viu nenhum sangue.

 

O empresário estava gemendo novamente. Soule sabia que deveria fazer alguma coisa. Então, ele se virou e gritou.

 

“Eugene, chama uma ambulância!”

“Okay!”

“Nós temos que tirar nosso empresário do banco do motorista imediatamente. Eu vou ajudar a tirar ele. Você vai primeiro e me ajuda lá. Taho, preciso da sua ajuda. Vou abrir a porta.”

“Entendido.”

 

Todos os membros saíram do carro. Soule se arrastou até a frente, abriu a porta, e levantou o empresário.

 

“O 911 não está atendendo a ligação.”

 

Eugene disse quando desligou.

 

Agora que ele estava no banco do motorista, Soule conseguia ver o que tinha acabado de acontecer na estrada.
Os carros estavam desordenados e ele conseguia ver fumaça no ar.

 

“Um engarrafamento...?”

 

Soule murmurou, atordoado.

Viken balançou a cabeça.

 

“Não, Soule. Teve uma notícia de última hora. Eles tiveram sucesso em extrair a Black Water e isso enviou uma forte onda.”

 

Viken continuou lendo o artigo.

 

“Você pode sentir náusea ou paralisia se estiver nas proximidades. Os efeitos colaterais podem durar três dias ou mais. Se você está nas proximidades da onda da Black Water, por favor vá para um abrigo imediatamente. A onda emite um campo magnético especial que se amplifica perto de trens e veículos. Então, se estiver em um carro, por favor saia o mais rápido que puder.”

 

Soule suspirou profundamente.

 

“Se era pra ser desse jeito, eles deveriam ter nos evacuado com antecedência.”

 

Eugene estalou a língua conforme respondia.

 

“Há uma chance em um milhão de extrair a Black Water com sucesso. Talvez eles não soubessem que iriam conseguir hoje.”

 

Soule também estalou sua língua antes de conferir o empresário. Ele se sentou fracamente no chão, mas parecia estar consciente.

 

“Você está bem?”

“Ugh, acho que eu vou vomitar. Mas sua agenda...”

 

Soule confortou o empresário.

 

“Ah, eu vou entrar em contato com o supervisor. Você descanse.”

 

O empresário acenou e se afundou de volta.

Soule tirou sua jaqueta e a envolveu em torno dele.

Viken observava enquanto falava.

 

“Soule. Eu vi na TV, mas eles disseram que quanto menos magia você tiver, mais suscetível a onda você é.”

“Isso é estranho. Por que estamos bem se não temos nenhuma magia?”

“Eles disseram que algumas pessoas são assim.”

“Mano. Se esse é o caso, eu queria que pudéssemos usar mágica.”

 

Soule ligou para o supervisor para desistiu logo. A ligação não conectava.

 

Ele tinha com sorte que ainda possuía internet. E então, a resposta veio imediatamente assim que a mensagem foi enviada.

 

“Eles estão dizendo para ficarmos aqui por agora. Em todo caso, acho que tivemos sorte.”

 

Soule lançou um olhar preocupado para os ombros de Viken, que tinham ficado presos entre os bancos mais cedo. Felizmente, ele parecia bem. Eugene também olhou em volta.

 

“Todo mundo parece bem, eu acho.”

 

Eugene olhou em volta mais adiante e encontrou algumas pessoas lutando para saírem de seus carros capotados.

 

“Você disse que as pessoas precisam sair de seus carros o mais rápido possível, certo? Devemos ajudá-los a sair, se tiver alguém com dificuldade.”

“Ah, eu vou e ajudarei.”

“Sim, Soule. Eu também.”

“Eu também!”

 

Os membros do Star One então se espalharam. Soule abriu a porta de um carro próximo e ajudou um motorista mais velho a sair. O motorista agradeceu repetidamente, apesar de sua angústia.

 

Soule de repente se lembrou de seu sonho.

 

Parando pra pensar...

 

Soule olhou em volta.

 

Parecia um pouco assim no sonho.

 

Fumaça e o vento empoeirado varreram seus ouvidos.

Soule podia sentir uma pulsação maçante em suas costas. Uma sensação estranha, mas ainda reconhecível correu sobre ele.

Soule sentiu que havia aberto uma porta que ele não poderia fechar.

Alguém parecia estar sussurrando, “Isso é apenas o começo.”

 

E se o pesadelo não fosse apenas um sonho?

 

Soule balançou sua cabeça e tentou afastar de seus pensamentos. Mas duas palavras permaneciam em sua mente.

 

Não é possível...

Ele viu a si mesmo sussurrando.

 

“Uma premonição?”

 

Não. Não pode ser.

A vida já é difícil o bastante. Não vamos espalhar coisas sem sentido aqui.

Tenho um longo caminho a frente. Não vamos fazer isso.

 

Soule balançou sua cabeça vigorosamente para limpar seus pensamentos.

Por alguma razão, a sensação sinistra não se foi.

***

Desde então, o mundo estava agitado com a conversa da “Black Water.” Todos pareciam estar falando sobre recursos e eficiência como um rádio quebrado.

 

Nenhuma notícia sequer mencionou os efeitos colaterais da onda. O empresário que estava no carro com eles ainda não tinha ido trabalhar hoje.

 

Soule correu seus dedos pelo cabelo e suspirou enquanto assistia os estudiosos falando sobre o quão revolucionária era a descoberta disso tudo na TV. Ele se lembrou do dia em que os idols mágicos fizeram o seu debut. As pessoas começaram a ignorar os idols tradicionais como se eles jamais tivessem existido.

 

O que um idol sem magia poderia fazer para se levantar contra a nova maré de magia?

 

Nós temos que dar uma dança sem falhas e uma performance perfeita.

 

Mas não importa o quanto tentassem, eles não conseguiam superar uma performance com magia.

Soule sabia disso muito bem.

Mas isso não significa que eles não poderiam se dar ao luxo de não tentar.

E então, os membros do Star One sempre se alinhavam perfeitamente na sala de prática.

 

“Um, dois, sete, oito...! Certo. Vamos com esse ali.”

“Obrigado, Soule. Eu sempre me atrapalho na parte final onde temos que supostamente enrolar nossos braços.”

“Okay. Vamos tentar novamente. Música, por favor.”

 

Para competir com os idols mágicos, o Star One fez sua coreografia ainda mais complicada do que qualquer outro grupo.

Eles ensaiavam juntos centenas de vezes como se estivessem prontos para sincronizar em um milissegundo.

 

Logo, gotas de suor se formaram em suas testas e suas roupas de treino ficaram encharcadas. Era apenas nesse momento que o ensaio terminava. Eugene falou.

 

“Terminamos por agora. Taho, você pode praticar um pouco mais comigo.”

“Ugh, Eugene! Só-só me dá um segundo! Eu tô muito cansado.”

“Não. Só bebe uma água.”

“Cara, você é demais. Soule, coloque um pouco de senso no Eugene. Eu estou realmente derrotado aqui.”

 

Soule sorriu enquanto entregava uma garrafa de água para Taho.

 

“Você era o único que estava atrasado. Aqui está. Beba um pouco de água pelo menos.”

“Ah...”

 

Soule abriu gentilmente a garrafa para Taho. Taho olhou para ele enquanto bebia a água. Soule sorriu e o confortou.

 

“Você ainda precisa praticar. Eugene está dando uma aula particular só pra você, Taho.”

“Ugh, você também, Soule?”

“Boa sorte!”

 

Com Soule assim, Taho não poderia dizer não. Ele abaixou a cabeça e murmurou baixinho.

 

“Ugh. Estou cercado de superdotados. Às vezes, sinto como se eles fossem robôs ou algo do tipo.”

“Taho. Ensaio pode ser divertido.”

 

Soule colocou as mãos nos ombros de Taho.

 

“Eu sei que é difícil. Mas você sabe, quando uma pessoa dá tudo o que tem, alguma coisa de repente melhora. É emocionante sentir esse momento. Eu não sei como, mas é como se as endorfinas estivessem ligando o seu cérebro.”

“Isso, isso não é perigoso?”

“Eu tenho essa sensação quando pratico bastante.”

 

Eugene entrou na conversa.

 

“Isso soa como um runner’s high*.”

“Ah, tipo o que os atletas sentem?”

“Sim. Mas falo sobre ter um runner’s high durante o ensaio de dança. Você é mesmo algo, Soule.”

 

Soule sorriu timidamente.

 

Bem, eu acho que pode ser um runner’s high.

 

Mas era diferente.

 

“Eu sinto quando a plateia responde à nossa performance.”

“Bem, acho que eu sinto isso também.”

 

Ver seus fãs torcendo dos holofotes, algumas vezes Soule sentia como se fogos de artifício saíssem de seu cérebro.

Sentia como a felicidade estivesse acendendo do final de seus nervos.

 

Talvez fosse esse o porquê ele gostava tanto de estar no palco. Ele era viciado na alegria pura disso.

Soule gostava até dos ensaios cansativos se isso significava que estavam se preparando para o palco.

 

Mas o palco está se movendo para cada vez mais longe.

 

Sua popularidade estava diminuindo. Ele podia sentir sua agenda cada vez mais vazia.

Idols sem magia estavam silenciosamente saindo de cena.

Enquanto Soule pensava sobre isso, Eugene agarrou Taho pela sua camisa e o arrastou para longe.

 

“Chega de bate papo. Vamos ensaiar, Taho! Outro dia de diversão!”

“Ugh, eu não estou me divertindo nada! Estou tendo dificuldade! Soule, me ajuda!”

“Vamos lá. Não faz isso. Você é o único que se atrasou no passo, Taho!”

 

Soule acenou sua mão com um sorriso gentil.

 

“Te vejo mais tarde, Taho!”

“Soule me abandonou!”

“O que você quer dizer com ‘abandonou’? Ele está te enviando para mim pro seu próprio bem.”

 

Independente de suas reclamações, Taho possui uma boa energia. Ele provavelmente terminaria seu ensaio sem suor.

Soule inalou profundamente. Talvez era por conta de todos os pensamentos negativos que teve, mas por alguma razão, ele estava se sentindo estranhamente cansado.

 

Minha visão está embaçada.

 

Ele sentiu seu corpo afundar. O suor escorria de sua testa. Soule o limpou com a barra de sua camisa.

Eram as luzes brilhantes da sala de prática? Ele não conseguia manter seus olhos abertos.

 

Vou fechar meus olhos por um momento.

 

Talvez ele estivesse muito cansado. A sonolência tomou conta dele. Ele sentiu sua consciência deslizando.

Soule caiu no chão e abraçou seus joelhos. O barulho dos outros membros foi ficando cada vez mais distante conforme outro sentimento familiar tomava conta.

 

Eu não quero...

 

Soule caiu no espaço de ventos frios e violentos mais uma vez.

 

 

*Runner’s High é uma expressão em inglês para expressar quando uma pessoa tem uma curto estado de pura euforia (quando o corpo libera muita endorfina), geralmente acontece quando se pratica um exercício por muito tempo.

 

CAPÍTULO 3

       O PESADELO CONTINUA

"Onde estou...?"

O ar estava frio e úmido.

Enquanto se sentava e esfregava os olhos, Soule identificou uma rua cinza.

Com o pavimento destruído e todas as árvores arrancadas, o lugar parecia

completamente sombrio e devastado.

Tudo parecia morto. Soule parecia ser a único ser vivo.

"Ruínas?"

Soule se enrolou como uma bola, apenas para o vento forte soprar impiedosamente

contra ele.

Soule olhou em volta.

Havia uma faixa vermelha no céu enegrecido.

o trovão rugiu enquanto as luzes da rua piscavam.

Foi isso que aconteceu quando tudo se separou? Haviam restos de construções aqui e

ali.

Estava frio e sombrio, assim como o último ponto de apoio no meio de um apocalipse.

Soule se lembrou do momento em que caiu no sono. A realidade não havia mudado.

Droga.

Ele não podia continuar assim. Soule deu alguns passos lentos para a frente. Cada passo

caía sobre a areia granulosa.

Aqui descansava um lugar que havia rompeu com o resto do mundo... Era assim que ele

se sentia sobre este lugar.

De alguma forma, seus arredores pareciam familiar. Soule abriu os olhos. Enquanto

andava pela rua, ele notou um prédio destruído, porém familiar. Soule reconheceu este

lugar. Mas não era assim que ele deveria parecer...

A arena de shows...

Ele conhecia bem porque olhava para ela todos os dias. Soule tinha salvado a foto da

arena como fundo de tela de seu celular. Ele havia sonhado em se apresentar num lugar

assim um dia.

Agora, contudo, a arena parecia completamente arruinada com apenas sua estrutura vazia

restando.

Soule caminhou por ela devagar.

Ele havia desejado poder se apresentar ali quando seu grupo fosse popular.

Soule havia colocado a imagem da arena de shows como seu papel de parede para se

motivar.

Agora, todavia, não havia sobrado nada da arena além de fragmentos quebrados e

escombros.

Soule resmungou como se seu sonho tivesse sido maculado.

Suas mãos começaram a tremer. E então, algo primitivo surgiu de suas profundezas.

Soule se virou imediatamente assim que se deu conta do que era. Ele cambaleou um

pouco antes de começar a correr na direção oposta.

Soule pisou em alguns dos fragmentos quebrados do prédio. Antes que ele soubesse,

pedaços da estrutura quebrada estavam perfurando a sola de seus pés.

Ele continuou correndo por um tempo quando parou de repente em suas trilhas.

Soule percebeu que continuava no mesmo lugar mesmo correndo a toda velocidade.

Soule mordeu seu lábio inferior nervosamente. Ele queria fugir. Seus esforços foram em

vão.

Na verdade, Soule já sabia o que estava por vir.

O olho enorme.

A coisa gigante que ele deve evitar. A coisa que ele não deveria tocar. Como todos os

destinos, o ser apareceria.

E então, uma rajada de vento soprou. O medo estava se rastejando em seu coração,

lentamente mas com toda certeza.

Então, uma voz vinda do fundo de sua mente tocou ao lado de seu ouvido.

"Qual é..."

 

Soule hesitou.

"... Seu desejo?"

Suas pernas pareciam que iam desmoronar debaixo dele. Sua visão estava ficando

embaçada.

Ele podia ouvir uma risada estridente. Soule tentou dar um passo para trás, apenas para

descobrir que seus pés não iriam se mover.

"Me diga."

A voz se aproximou. Soule tentou resistir mais uma vez. Ele retorceu seu corpo numa

tentativa de escapar , apenas para descobrir que estava tão rígido quanto um tronco.

Seus esforços eram em vão. Ao invés de se mover para frente, seu corpo caiu para trás.

Com um baque surdo.

Sua cabeça bateu no chão. Soule piscou.

Havia alguma coisa enorme pressionando contra o seu peito.

Ele conseguia sentir o suor escorrendo pelas suas costas. A enorme criatura em cima

dele possuía garras afiadas.

Soule se viu arfando.

Cof. Cof. (Tosse)

Lágrimas começaram a brotar em seus olhos. Soule levantou seus olhos para limpar as

lágrimas de seus olhos, apenas para descobrir que seus membros não se moveriam.

Quando ele finalmente conseguiu parar de tossir e olhou para o ser em sua frente, ele se

viu olhando para um grande par de olhos reptilianos.

A criatura se parecia com um gato e era maior que a maioria dos predadores.

"..."

 

Soule fechou os olhos lentamente enquanto o gato sorria maliciosamente.

Fez com que arrepios percorressem a pele de Soule.

Quando ele não respondeu, o gato cravou suas garras afiadas em seu peito.

"Me diga o seu desejo."

Ele exigiu.

"Você sabe que tem alguma coisa que deseja desesperadamente."

Era estranho. Ele não tinha motivo nenhum para ouvir um monstro. Soule se pegou

pensando em suas palavras.

Meu desejo? Mas é claro que seria...

Havia algo que ele sempre desejou. Antes que ele se desse conta, os lábios de Soule

começaram a se mexer.

 

Magia.

Ele sempre pensou que seria maravilhoso se ele pudesse usar magia. Soule pensou na

arena de shows, o lugar onde ele sempre sonhou em se apresentar. Ele sempre desejou

poder se apresentar lá com os outros membros.

Ele se viu quase orando para isso habitualmente para que tornasse realidade.

Mas aquele lugar...

Ele se lembrou de repente das ruínas que viu há apenas um momento. Nada além de um

quadro sombrio da estrutura remanescente.

Ela se foi agora.

Ele sentiu como se alguém tivesse despejado um balde de água fria sobre sua cabeça.

Seus instintos responderam antes de seus pensamentos.

Soule retorceu seu corpo com todo seu poder. Ele lutou mesmo com suas roupas e pele

nas garras afiadas do gato.

Milagrosamente, Soule conseguiu se libertar. Ele iniciou uma corrida assim que se viu

livre.

"Tsc!"

Ele podia ouvir o gato o perseguindo depois de um curto grunhido.

Tadada.

Soule correu com todo o seu poder. Ele estava ficando sem ar. Para tornar as coisas ainda

piores, ele estava agora no fim da linha. Um prédio estava em seu caminho.

Soule olhou em volta antes de correr precipitadamente para grande bagunça de

escombros que havia visto antes.

Felizmente, o lugar era grande com muitos lugares para se esconder. Assim que ele

recuperou seu fôlego, Soule percebeu que estava parado em um palco quebrado.

O vento gelado começou a soprar de novo.

Soule escaneou seus arredores enquanto se escondia entre uma pilha de escombros.

Ele podia ouvir o monstro correndo. Soule olhou em volta ansiosamente, apenas para se

dar conta de que não havia nada que o pudesse ajudar.

O que devo fazer?

E então, ele pisou no chão quebrado do palco. Suas luzes quebradas balançaram no

vento arenoso.

O céu ficou preto, então vermelho, e então preto de novo. Isto foi de novo e de novo.

Soule olhou em volta. Uma sombra aparecia e desaparecia.

E então,

Um raio de luz brilhante brilhou através do céu preto e vermelho. Soule olhou para a luz

com temor.

A luz de menta pálida parecia quente.

Soule andou lentamente até ela. A luz parecia estranhamente reconfortante neste lugar

frio e doloroso.

Ele começou a desenvolver uma crença inexplicável nela. 

Ele não tinha motivo algum para hesitar assim que soube o que era. E então, Soule correu

em direção a luz. Como se seu corpo inteiro estivesse imerso na luz, alguma coisa

agarrou sua mão e a puxou.

Uma luz quente começou a engolfar todo o seu corpo. Parecia tão acolhedor e aquecido

dentro da luz.

Talvez porque ele esteve no frio até agora.

"Que quente."

Soule murmurou com um sorriso em seus lábios. A luz quente dançou ao redor de seu

corpo antes de se dissipar lentamente.

A luz brilhou contra seus cílios. Tudo era deslumbrante e bonito.

Soule desejou que a luz jamais fosse embora. E então, ele tentou pegar a luz de todas as

formas que ele pôde. A luz de cor menta dançou em volta de sua mão antes de

desaparecer eventualmente.

o calor em sua mão se foi junto com a luz. Soule gemeu de desapontamento.

A luz finalmente desapareceu. Soule esfregou suas mãos juntas para se manter aquecido.

Então, algo pareceu estranho.

"...?"

Havia um objeto em sua mão. Soule o abriu lentamente. Havia um objeto pequeno onde a

luz quente estava.

Soule rolou a coisa ao redor.

"Um dado?"

Levou um momento para Soule perceber o que era o objeto porque não era um dado

comum em formato de cubo.

O dado possuía o calor da luz. Soule fechou seus olhos enquanto absorvia o calor.

Talvez porque ele havia permanecido naquele lugar frio e doloroso por muito tempo. Ele

se viu agarrado àquele precioso calor enquanto seu corpo entorpecia e perdia a

sensação.

o calor se dissipou lentamente.

Ele podia ouvir sons novamente. Quando ele abriu seus olhos, ele viu uma luz fraca. Mas

não era aquela luz quente de cor menta.

Era uma luz que Soule conhecia muito bem era a luz da sala de prática.

Ele podia ver de novo. Soule piscou. Sua visão borrada começou a clarear. Soule gemeu.

"Ah..."

 

Ele se sentou. Soule se sentia tonto.

Ele podia ouvir a voz de Eugene. Não havia a necessidade de se virar para olhar. Ele podia

ver os dois membros ensaiando no espelho em sua frente. Soule ficou no lugar e moveu

seu olhar. Avys estava deitado no canto. Perto dele estava Viken, que estava no seu

telefone. Tudo estava normal.

Soule balançou sua cabeça. Ele estava finalmente voltando aos seus sentidos.

Outro sonho?

Seu corpo parecia bastante rígido.

Ele massageou seus ombros em vão.

Os cílios de Soule estremeceram. Por alguma razão, ele se sentia mais cansado que antes

de adormecer.

Ao contrário dos sonhos que ele iria esquecer rapidamente, o gato gigante ficou em sua

mente, assim como a arena de shows em ruínas e a luz de cor menta.

Soule olhou para suas mãos. Ele teve aquela luz em suas próprias mãos.

Ele suspirou enquanto massageava seus ombros novamente. Então, alguém deu um

tapinha em suas costas.

"Ah..."

Soule sorriu timidamente.

Era Viken. Ele se sentou ao lado de Soule e começou a massagear suas costas.

Por um momento, Soule sentiu como se toda a escuridão estivesse se esvaindo.

"Obrigado, senhor Viken."

"De nada. Te dou cobertura, võ."

"O que? Eu sou um avô, agora?"

"Sim. E o seu neto está aqui para mimar você."

Soule entrou na brincadeira naturalmente.

"Okay, filho. Dê o seu melhor. Este é o ponto."

Soule se recostou confortavelmente. Viken começou a massageá-lo.

"Vô, olha isso. Seus músculos estão todos amontoados. Acho que o seu neto merece

alguma recompensa.

Mas sério, Soule. Você não tinha se alongado momentos antes do ensaio?"

"Eu caí no sono por um instante e tive um pesadelo. Acho que peguei uma gripe. Você

acha que alongamento vai resolver isso?"

Viken pressionou os ombros de Soule com seus cotovelos. Soule gemeu de dor.

"Ai, isso dói."

"É melhor do que nada. Tenha paciência comigo. Vovô. Isso é trabalho de verdade. Talvez

eu peça mesmo uma recompensa."

Soule sorriu timidamente.

"Certifique-se de não me sobrecarregar."

Os dois riram. Intrigado por suas risadas, Avys se levantou de seu canto e se aproximou

deles.

"Soule. Você está tendo esses pesadelos sempre?"

"Sim"

"Eles são sobre o quê?"

Soule hesitou. Ele pode contar ao Avys?

Ele mesmo sentiu-se confuso. O sonho parecia de alguma forma importante, mas também

parecia bobo.

"Eu tive um sonho. Um pesadelo."

"Sim"

"Eu continuo tendo séries dele. Parece mais do que um sonho."

"Que estranho. Soule, para coisas assim, vamos usar tecnologia."

O que ele quis dizer?

Quando Soule pareceu intrigado, Viken explicou.

"Vamos pesquisar no Google. Série de sonhos."

Soule gargalhou novamente. O que o Google teria a dizer sobre isso?

"É. Vamos tentar. Ah, tem o meu telefone. Espera um segundo."

Quando Soule se levantou para pegar seu telefone, Avys perguntou.

"Podemos usar o meu. O que você viu no sonho?"

"Hum... um gato? E, fui perseguido por um gato."

Soule não mencionou o quão ridicularmente grande o gato era. Avys fez a pesquisa e

explicou de uma forma intrigante.

"Eles dizem que é uma premonição para algum acidente horrível ou traição. Dizem que há

uma chance de ter um acidente de carro."

Aquilo parecia sério. Se desprendendo dos ombros de Soule, Viken começou a ler com

Avys e avisou.

"Soule, você precisa ter cuidado."

"Ah, okay. Acho que preciso tomar cuidado comigo mesmo."

"Não parece como nenhum sonho bobo."

Soule respondeu sem jeito.

"Você acha? Um sonho é apenas um sonho."

Então, ele sentiu algo pressionando seu ombro. Soule inclinou sua cabeça para trás.

"Eugene?"

Eugene estava pressionando o ombro de Soule.

"Ele parece mesmo duro."

"Na verdade está bem melhor, graças ao Viken."

"Que tipo de sonho era?""

Soule suspirou.

Ele pensou se deveria dar mais detalhes, mas com o Star One em sua última posição, ele não queria deixar ninguém preocupado.

"Vamos parar. Um sonho é só um sonho. Se começarmos a dar significado, só vai causar problemas."

Viken assentiu.

"Você está certo. É só um sonho bobo. Se começarmos a pensar que tem alguma coisa, não conseguiríamos ficar nessa sala de ensaio. Estaríamos muito assustados."

Eugene deu tapas nas costas de Soule.

"Bom, esse lugar é famoso, eu acho. Dizem que é assombrado."

"Eu até vi coisas algumas vezes. Portas se abrindo onde não havia ninguém... Uma nova luz de LED se apagando de repente..."

Eugene assentiu.

"Algumas vezes, eu vejo uma luz estranha também. Algum tipo de luz verde menta."

Soule piscou em choque.

"Uma luz cor menta?"

"É. Você não viu?"

Soule balançou sua cabeça enquanto pensava sobre. A luz de seu sonho era verde menta também.

"Essa luz por acaso é quente?"

"Hum, não tenho certeza. Não era assustadora nem nada do tipo."

Talvez não seja a mesma luz que ele viu no sonho.

Soule suspirou profundamente. Ele esticou suas pernas e se alongou novamente.

Ele não queria mais falar desse assunto.

"O sonho erá desaparecer depois de um tempo. Não se preocupe. Só estou estressado."

Vendo Soule lutando para afastar seu desconforto, Avys se aproximou e deu a ele uma massagem nas costas.

"Ai!!!"

"Soule, se certifique de alongar corretamente dessa vez."

"Ai! Ei! Espera!"

Antes que ele percebesse, Viken havia se aproximado para esticar as pernas de Soule ainda mais.

"Hã? Ai, não!"

Como Soule gritou, todos começaram a rir. A atmosfera pesada começou a ficar mais leve

 

CAPÍTULO 4 - VAI, VAI!

            MAGIC ISLAND!

“Vou até a máquina de refrigerantes*,” disse Viken com um sorriso.

 

“Viken, você pode me trazer uma Coca como um brinde por te fazer uma massagem?”

“Claro. E você, Eugene? Quer alguma coisa?”

“Estou bem.”

“É. Ah, quando o nosso treinador de dança chega aqui?”

“Em uma hora, eu acho?”

“É bem cedo. Vamos voltar ao ensaio assim que você retornar. Ah, e a proósito, Eugene, você pode acordar as crianças?”

“Tudo bem. Eu irei. Olhe para o Taho. Ele está apagado mesmo que não tenha feito nada.”

 

Soule abriu a porta da sala de prática e andou pelo corredor. O barulho agitado do ensaio desapareceu atrás dele.

Soule alongava seus ombros rígidos enquanto caminhava.

 

Tap. Tap.

A única coisa que ele conseguia ouvir em meio ao silêncio era seus próprios passos.

E então,

 

“...?”

 

Soule olhou em volta com perplexidade. Uma luz cor de menta brilhou fracamente na parede direita antes de desaparecer.

Soule olhou para o teto e então de volta para a parede. Nada.

Ele esperou um pouco mas decidiu seguir em frente quando a luz de cor menta brilhou novamente na parede.

 

“Hã?”

 

Ele tinha certeza que havia visto dessa vez. Soule correu imediatamente na direção da luz e alcançou.

Ele a reconheceu assim que tocou na luz.

 

É quente.

 

Exatamente como aconteceu no sonho.

A luz começou a brilhar mais forte. Soule sorriu como se estivesse olhando para um velho amigo.

A luz havia sido sua boa salvadora no pesadelo.

A luz rodopiou. Soule tentou pegar a luz com sua mão. Mas a luz brilhante desapareceu lentamente antes de sumir completamente.

Soule piscou como se tivesse saído de uma ilusão.

 

Que estranho. Por que ele estava vendo algo que ele viu em seu sonho?

Era este o fantasma que os membros estavam comentando na sala?

 

Soule olhou em volta. O corredor estava quieto. Foi só então que Soule percebeu o que havia acabado de acontecer.

 

Espera, isso não é um sonho, não é?

 

Ele podia sentir arrepios em sua pele. Soule balançou a cabeça rapidamente. Isso era muito estranho.

A imagem das ruínas e do monstro que estava fugindo. Ele sentiu o medo do sonho o pressionando.

 

“Aquilo foi só um sonho. Tem que ter sido.”

 

Seria muito cruel se aquilo se tornasse realidade.

Soule respirou fundo e se esforçou para afastar o pensamento sombrio.

Dizendo a si mesmo que deveria parar, ele se virou quando parou.

Havia alguma coisa em sua mão.

 

“Hã?”

 

Alguma coisa dura rolou em sua mão. Soule a abriu.

 

“...”

 

Era o dado do seu sonho.

 

“Hah...”

 

Ele se viu rindo.

Ele disse a si mesmo várias e várias vezes que o que viu não era real. Soule olhou para o objeto que descansava em sua mão.

Ele continuou rindo.

 

“Hah... hahaha.”

 

Ele não sabia de onde a risada estava vindo.

 

A luz já não estava mais aqui. Mas, o dado permanecia em sua mão.

Soule olhou em volta. Ele podia ver o caminho para a sala de prática para este momento em sua vida: desde o seu tempo de treinamento, estreia, e a vida sem popularidade.

A risada se dissipou.

O que aconteceria agora?

Coisas estranhas continuavam acontecendo, mas ninguém estava ali para explicar as coisas pra ele.

***

“VAMOS! VAMOS! Magic Island.”

 

Eugene olhou para baixo, para o dado em sua mão. Era para um simples programa que eles iriam participar para comemorar seu retorno.

 

Um idol sem magia em um programa sobre ir para a Magic Island...

 

Ele não sabia dizer se os organizadores simplesmente não faziam ideia ou se estavam sendo provocados.

Se sentindo levemente incomodado, Eugene olhou para Soule.

 

“...”

 

Soule não estava sendo ele mesmo ultimamente por um motivo.

Ele tem sido aplicado nos ensaios e nas gravações. Ele passou por seus compromissos pessoais sem nenhum problema. Por mais exigente que Soule fosse, ele estava cauteloso para não dar nenhuma pista de que alguma coisa estava errada.
Mas Eugene sabia.

O líder do Star One estava... um pouco fora de si.

 

Eugene olhou para a câmera com um suspiro. Independente do que cada um deles estava passando, o tempo passou e as agendas mudaram.

 

Eugene passou seus dedos pelo cabelo.

Ele queria visitar a Magic Island, só não através de um programa de TV.

 

O lugar era um local especial de pontos que apareceram ao redor da Terra quando as ondas deram origem à magia há 10 anos.

No começo, o lugar estava fora de alcance. Agora é aberto para o público como um parque de diversões e uma instalação de pesquisa.

 

Os idols mágicos aparentemente sentiram sua energia carregar quando vieram aqui.

Talvez fosse porque eles não possuíam nenhuma energia mágica, mas Eugene nunca havia sentido nada diferente.

 

Magia, hein?

 

Eugene sorriu amargamente. Conforme ele e Soule conversaram na última vez, ele estava desesperado por isso.         

 

Tudo seria melhor se eu pudesse usar magia.

 

Mesmo que eu tenha que pagar por isso ou até mesmo dar a minha vida por isso, eu ainda sim pediria por isso.

Eugene suspirou novamente. Esses pensamentos eram inúteis.

Com um suspiro, Eugene olhou para seu lado. O líder do Star One ainda parecia atordoado.

 

***

A gravação “VAI! VAI! Magic Island” terminou cedo. O Star One reverenciou a equipe.

 

“Bom trabalho.”

“Bom trabalho!”

 

O diretor acenou em resposta. Soule olhou para cima. Eles estavam gravando desde cedo pela manhã, e todo mundo parecia cansado.

 

Soule havia se virado para procurar por seu empresário. E então, Eugene falou.

 

“Ei Soule, o empresário vai se atrasar um pouco.”

“O que?”

“Ele nos disse para esperar um pouco.”

 

Soule piscou. Seu empresário era uma pessoa pontual. Essa seria a primeira vez que ele se atrasaria.

Ele imaginou que pudesse adivinhar o porquê.

 

“Você acha que são os efeitos da Black Water da última vez?”

“Acho que sim.”

“Ele parece bem cansado ultimamente.”

 

Soule deixou escapar um longo suspiro. A TV ainda discutia os efeitos da Black Water            sem sequer mencionar aqueles que sofreram com os efeitos colaterais.

Viken entrou na conversa.

 

“Essa coisa da Black Water está ficando séria.”

 

Taho concordou.

 

“Eu ouvi que um buraco negro apareceu em Gangwon-do ou alguma coisa. O buraco só apareceu.”

 

Eugene franziu as sobrancelhas.

 

“Isso parece perigoso. Pense em dar um passo errado.”

“Eles disseram que estão tentando não afetar as pessoas normais, mas você sabe. Eles sempre levam tempo.”

 

Soule sorriu amargamente.

 

“Eu sei que é para obter os recursos, mas você acha que nós deveríamos estar extraindo um material tão perigoso?”

 

Taho balançou a cabeça.

 

“O preço da eletricidade é a metade do que era graças à Black Water. Eu não acho que o mundo possa voltar ao passado agora.”

 

Soule sorriu amargamente. Aparentemente, a Black Water não existia há 10 anos. Ele não se lembra de como as coisas eram, para ser honesto. Mas o mundo definitivamente parecia mais quente.

 

O maior problema agora com a Black Water era a perda de empatia.

Desde a grande mudança, tem ocorrido mais conflitos entre pessoas e até mesmo entre nações.

 

Soule balançou a cabeça. Pensar nisso não adiantava. Além do mais, ele estava preocupado com outras coisas.

O sonho sombrio e o monstro. E o dado.

 

Ah, o dado...

 

Soule colocou sua mão dentro do bolso. Ele podia sentir a textura familiar. Parecia quente e acalmou sua mente.

Foi por isso? Ele estava ficando acostumado a tocar o dado em seu bolso sempre que se sentia ansioso.

Soule continuava hesitante com o dado. Viken entrou na conversa.

 

“Nós temos um tempo livre agora. Acha que podemos dar uma olhada por aí? Não é fácil vir aqui normalmente.”

“Você está certo! O empresário está atrasado, de qualquer forma!”

“Concordo! Magic Island pode ser aberto ao público, mas fecha sem nenhum motivo algumas vezes. Nós deveríamos dar uma olhada quando podemos.”

 

Soule tentou protestar mas logo desistiu. Ele também não queria ficar ali.

 

Soule sorriu e respondeu,

 

“Também concordo.”

 

Viken riu e pegou o braço de Soule.

 

“Ah, nosso líder disse que está tudo bem também! Não esperava por essa! Pensei que você ia dizer não!”

“Bem. Pensei que nós devemos dar uma pausa enquanto podemos.”

 

Ele se sentiu sobrecarregado por causa do pesadelo e o dado. Ele queria uma chance de respirar um pouco.

Viken tocou em seu telefone para procurar algumas coisas antes de se iluminar.

 

“Tem um lugar que eu queria muito visitar na Magic Island.”

“O que?”

“A casa do vidente. As pessoas dizem que ele/ela é muito bom/boa.”

“Ah.”

 

Soule de uma olhada no celular de Viken.

 

“É um lugar com um sinal de dado?”

“É. Vamos vir aqui e perguntar.”

“O que você vai perguntar?”

“Bem, você sabe. Se nossos álbuns vão ir bem ou algo assim.”

 

Soule riu.

 

“E se disserem que eles não vão ir bem?”

“Qual é. Não é como se eu realmente acreditasse nessas coisas. É só pela diversão. Seria melhor se nos dissessem que vamos ter sorte.”

 

Soule concordou. Para ser honesto, ele também queria saber.

 

“É. Vamos lá. Mas sob uma condição.”

 

Soule olhou para os membros e disse.

 

“Só vamos acreditar nas coisas boas. Vamos apagar qualquer coisa negativa, okay?”

 

Eugene riu.

 

“Nosso líder é tão realista.”

“Hum, você não gosta disso?”

 

“Não, eu gosto.”

“Então vamos lá. Onde é?”

“É bem perto!”

 

Viken soltou o braço de Soule e correu na frente. Atrás dele, seguiram Avys e Taho.

Soule seguiu-os silenciosamente. Eugene envolveu um braço em torno de seus ombros.

 

“O que há com a mudança de ideia? Eu pensei que você diria a eles para ficarem.”

 

Soule riu silenciosamente.

 

“Tudo fica tão carregado quando tem um álbum novo a caminho. Todo mundo está falando da Black Water isso e da Black Water aquilo...”

“É verdade. Eu me pergunto que isso tinha que acontecer justo quando temos um álbum saindo.”

 

Soule rolou o dado em seu bolso e respondeu.

 

“Bem, isso irá resolver.”

 

Eugene estreitou os olhos e olhou para Soule.

 

Ele definitivamente não está sendo ele mesmo ultimamente...

 

A casa do vidente que Viken tinha falado estava mais próxima do que eles pensavam. Taho abriu a porta e acenou para os outros prosseguirem.

 

“Venham!”

 

Eugene agarrou o braço de Soule apressadamente e o puxou. Deixando o outro arrastá-lo, Soule olhou para o sinal.

 

Hã? O que?

 

No sinal havia um dado. Soule se incomodou com seu próprio dado em seu bolso novamente.

 

Ele parece um pouco familiar.

 

Soule estava prestes a checar o sinal mais uma vez quando ouviu alguma coisa quebrar.

 

Crack.

 

Um som agudo ressoou pela sala.

Viken parecia ter quebrado alguma coisa pelo caminho.

 

“Vocês não conseguem passar por um dia sem um acidente?”

 

Soule se desculpou e apontou para Viken. Viken encarou o vidente e se curvou.

O vidente aceitou as desculpas de Viken. Ele usava um grande capuz que apenas revelava os seus lábios.

Soule havia tirado o seu cartão para fazer o pagamento. Seus lábios finos se curvaram em um sorriso.

 

“Está tudo bem.”

“Ainda sim. Quanto é?”

“De verdade, isso não é necessário. É só um souvenir que não custou mais do que 2.000 won.”

 

Hã?

Viken então perguntou timidamente.

 

“Hum, por quanto você o está vendendo então?”

“Hummm. Eu não deveria te contar, mas vou contar. Vou vender por 20.000 won.”

“Uau, isso é dez vezes mais que o preço original!”

“Então, de verdade, está bem. Bem, se você não tivesse se desculpado, eu talvez cobraria de você 40.000 won.”

 

Uau. Falando sobre o seu caminho para fora de uma pitada*. Era isso que o ditado significava?

Soule fez outra referência e olhou para cima.

 

“Obrigado.”

“De nada. Vocês estão aqui pelo seu destino, não é? Eu estava esperando por vocês.”

 

Esperando por quem? Nós?

Quando Soule piscou, o vidente sorriu outra vez.

 

“Estou brincando. Como eu poderia saber quem seriam vocês? Mas ‘Eu estava esperando por vocês’ soa infinitamente melhor que ‘Bem vindo, cliente’.”

 

Uau.

Taho perguntou ao Viken silenciosamente.

 

“Você tem certeza de que esse lugar é bom?”

“Foi o que eu ouvi.”

 

O vidente entrou na conversa.

 

“Eu sou muito bom. Mas também é importante causar uma boa impressão.”

 

Soule sorriu timidamente. Ele gostou da atmosfera aqui. Era por isso? Ele não pôde deixar de se sentir curioso.

 

 

*O ditado que ele quis dizer na verdade é “Take with a grain(pinch) of salt”, que quer dizer aceitar o que lhe foi dito/mostrado/proposto, mas sem acreditar totalmente na sua veracidade.

 

CAPÍTULO 5

       NOMES VERDADEIROS

Soule examinou o vidente com suspeita. O vidente estava inquieto com um fio de cabelo comprido que escapava de seu capuz. Ele estava vestindo uma roupa bastante distinta que se assemelhava ao manto de um monge medieval. Seu capuz era tão longo e escuro que apenas seus braços eram visíveis.

 

Ele parece bastante em forma mesmo com essas roupas largas. Será que ele malha com frequência? Ou...

 

E então, Soule notou um símbolo estranho no braço do vidente enquanto ele estendeu a mão para pegar o objeto quebrado.

Então, o vidente sorriu enquanto falava,

 

“Aquele que possui dúvidas não pode aceitar um futuro previsto. Pessoal, vocês acreditam nisso?”

 

Enquanto Soule estava atordoado pela declaração repentina, Viken exclamou imediatamente.

 

“Eu acredito!”

 

Antes que Soule pudesse dar um passo a frente, o vidente respondeu com outro sozinho.

 

“Bom. Vamos com isso.”

“Com isso...?”

 

Apesar dos sussurros desesperados de Soule, o vidente permaneceu com a atmosfera misteriosa.

Os olhos dos demais membros brilharam como se estivessem animados por aquele lugar. Soule     cedeu e ficou em silêncio.

 

Completamente alheio à inquietação de Soule, Viken parecia positivamente animado.

Soule balançou a cabeça silenciosamente.

 

Acho que Viken acredita nessas coisas.

 

Soule suspirou e olhou em volta outra vez. O lugar parecia um pouco diferente, talvez porque estava localizado dentro da Magic Island.

Em qualquer lugar que ele olhasse, ele sentia uma energia misteriosa.

Soule olhou para a parede e notou um símbolo estranho.

E então, Taho falou.

 

“A lua neste símbolo está mudando.”

 

Soule olhou outra vez para o símbolo quando o vidente deixou escapar um pequeno suspiro, como se estivesse surpreso pela observação de Taho.

“Você é bem observador. Sim, o símbolo representa as fases da lua.”

“Legal. A lua tem alguma coisa a ver com a energia mágica?”

“Não exatamente.”

 

Taho pareceu confuso.

 

“Desculpe?”

 

“Energia mágica é somente uma forma da energia, embora parcialmente influenciada pela localização.”

“N-neste caso, para quê é este símbolo?”

“Para parecer legal.”

 

Taho estava sem palavras. Soule riu silenciosamente. Este vidente se revelou ser mais engraçado do que ele tinha dado crédito antes.

Ele varreu seu cabelo que havia escapado de seu capuz com seus longos dedos enquanto perguntava,
 

“Agora, queridos clientes. O que vocês vieram perguntar?”

 

Soule respondeu com um sorriso.

 

“Qual a sua especialidade?”

“Ah, querido. Se você quer colocar desta forma, a maioria das pessoas perguntam sobre seus futuros no amor ou riquezas.”

 

Soule estava prestes a responder quando Viken entrou na conversa.

 

“E sobre o que você é bom em ver?”

 

Avys respondeu a ele.

 

“Viken, achei que iríamos perguntar sobre nosso próximo álbum.”

“Ah, estou curioso sobre isso também. Mas você não quer perguntar sobre o que ele faz melhor?”

 

Avys encarou Soule. Soule riu e fez uma sugestão.

 

“Podemos perguntar sobre ambos.”

“Ah! Isso, essa é uma boa ideia! Este é o nosso líder! Eu te respeito, líder!”

 

Soule não queria respeito por algo assim. Ele balançou a cabeça. Viken já estava imerso na fala do vidente.

O vidente apertou suas mãos uma na outra e respondeu.

 

“Que boa escolha. Você é definitivamente quem eu estava esperando.”

“Iremos ouvir duas vidências, então! Obrigado!” O vidente empurrou seu longo cabelo e continuou.

“Minha especialidade é o Nome Verdadeiro.”

 

Isso parecia novo.

 

***

 

Viken franziu a testa imediatamente, perante o conceito desconhecido. Taho, por outro lado, parecia interessado.

 

“O que é um Verdadeiro Nome?”

“Essa é uma excelente pergunta. Um Nome Verdadeiro é o nome real de alguém. Não é como um nome dado (de registro), mas mais como um que fala a essência da alma.”

 

Soule olhou paralisado para os lábios vermelho-escuro do vidente.

 

“Tudo no mundo possui um Nome Verdadeiro. Sabendo que isso permitiria a alguém olhar o que está reservado para eles.”

“Então é como uma profecia?”

“É similar, mas diferente. Bem, você sabe como funciona – não importa qual caminho você escolha, contanto que você chegue ao seu destino final. Acho que é mais como uma profecia neste sentido.”

 

Os olhos de Viken brilharam como se ele não estivesse franzindo a testa há um minuto. Ele perguntou imediatamente.

“Neste caso, qual é o meu Nome Verdadeiro?”

 

O vidente ficou em silêncio por um momento. Soule estreitou os olhos.

 

Parece que o ar ao nosso redor mudou...

 

O dedo do vidente apontou para o chão e girou.

Uma luz verde cintilou e então desapareceu. O vidente sorriu e falou.

 

“O que estava no canto mais profundo da caixa.”

 

Viken perguntou imediatamente sobre a frase complexa.

 

“O que isso significa?”

“Eu não sei. Interpretações não são minha especialidade.”

“No canto mais profundo da caixa? Então... tipo um gato ou algo assim?”

“Ah, isso é fofo.”

“Realmente.”

 

Ele piscou. Os membros não sabiam, mas ele sim.

 

Uma caixa... ele quis dizer a Caixa de Pandora*?

 

A coisa no canto mais profundo da caixa... isso é...

 

“Oh...”

 

Soule estava para falar quando o vidente colocou um dedo um dedo em seus lábios, sinalizando para que ele parasse.

Entretido pelo Nome Verdadeiro de Viken, Taho fez outra pergunta.

 

“Ah, me diga também. Qual o meu Nome Verdadeiro?”

 

O vidente mais uma vez respondeu com um leve sorriso.

 

“Aquele pendurado de cabeça pra baixo em uma velha árvore com raízes profundas.”

 

A frase soava sinistra. Todo mundo parou e engoliu em seco. O pomo de Adão de cada um balançou. Como se para cortar a tensão no ar, o vidente entrou na conversa levemente.

 

“Não é tão sério quanto você pensa.”

“Parece assustador.”

“Nomes Verdadeiros podem ser um pouco dessa forma. Irei contar os outros também.”

 

O vidente olhou para Eugene.

 

“Aquele que não deve comer cachorros.”

As sobrancelhas de Eugene se franziram. Viken se inclinou na sua direção e alertou.

 

“Eugene, não coma cachorros.”

“Não irei.”

 

Soule olhou para o vidente com suspeita.

Avys era o próximo a perguntar.

 

“Então qual o meu Nome Verdadeiro?”

“Aquele que construiu o labirinto.”

“Hã? Eu não gosto de criar coisas. Eu não gosto nem de montar blocos.”

 

Taho agarrou os ombros de Avys.

 

“Você tem razão. Lembra como tudo que você criou com blocos durante o último programa de TV caiu por toda parte?”

“Acho que é porque eu não tenho uma boa percepção espacial, ou seja lá como isso chama. É por isso que eu sou ruim com direções também.”

“Ainda sim, não é muito sério.”

 

Ninguém parecia estar levando isso muito a sério. O vidente finalmente olhou para Soule.

 

“É sua vez agora.”

“Ah, tudo bem.”

 

Soule assentiu e rolou o dado em seu bolso como se sentisse uma súbita pontada de ansiedade. O dado ainda estava quente.

 

“Você é ‘aquele em que ninguém acredita’.”

 

Soule franziu a testa. Ele podia entender os outros Nomes Verdadeiros, mas o dele era demais.

 

“Não pode ser.”

“Acho que estou bem certo.”

“Ah, todo mundo confia em mim.”

Eles não irão acreditar em você na coisa mais importante. Pode haver coisas que você é incapaz de falar...”  

 

O dado escorreu dos dedos de Soule.

 

Como ele sabe?

 

Ele havia evitado discutir os sonhos de propósito. E então, o vidente sorriu enquanto falava,

 

“Viu?”

 

Todos os membros franziram a testa com a última vidência.

Como a atmosfera ficou mais obscura, o vidente encolheu os ombros.

 

“É por isso que eu geralmente não discuto Nomes Verdadeiros. Os clientes costumam ficar bravos.”

 

Soule franziu a sobrancelha. Então, o vidente sorriu.

 

“Próxima... vocês queriam perguntar sobre como seu trabalho progredirá, certo? Eu soube no momento em que vocês entraram.

Vocês provavelmente irão ter sucesso. Supreendentemente.”

“Hã?”

“Vocês devem estar preparados para decolar. Como sabem, existe um ditado que diz,”

 

O vidente ficou quieto por um momento antes de recitar lentamente,

 

Cuidado com onde você abre suas asas.”

 

Eles nunca tinham escutado essa frase, mas soava significativa. Soule queria perguntar o que significava mas o vidente não deu a ele uma chance de falar.

 

“Há muitas coisas reservadas pra vocês. Vocês irão conhecer alguém novo em breve. Ah, estão interessados em magia?”

 

A pergunta era inesperada. Todos os membros do Star One assentiram. O vidente passou por Soule e pegou um livro da prateleira.

 

“Gostariam de uma cópia?”

 

Soule perguntou imediatamente, “Quanto custa?”

 

“O livro é de graça. Se você não quiser, então não precisa levá-lo.”

 

Taho o alcançou imediatamente.

 

“Vou pegar. Estou muito interessado em magia.”

 

O vidente olhou para o rosto de Taho por um momento antes de pressionar o livro em suas palmas, sem dizer uma palavra.

 

“E isso é tudo. São 20.000 won no total. Ah, e eu aceito cartões de crédito.”

“Aqui está.”

 

Soule entregou o cartão.

 

“Tudo certo. Obrigado, há mais alguma coisa que queiram perguntar?”

 

Soule possuía tantas, mas tantas perguntas para fazer, especialmente depois de ouvir a palavra “magia.” Ele abriu sua boca ansiosamente para perguntar mais, mas o vidente cobriu sua testa e se desculpou.

“Ah, me desculpe. Estou um pouco atrasado. É hora do meu banho de lua.”

“Banho de lua?”

“É para o crescimento dos meus poderes mágicos e entrar numa energia calma. Veja, este caminho requer muito treinamento.”

“Eu pensei que você tivesse dito que essas coisas não importam?”

 

O vidente sorriu.

 

“Me desculpe. Acho que vou fechar por hoje.”

 

Eles se curvaram.

 

“Adeus, senhor.”

 

Ele estava dizendo a Soule e aos outros para saírem. Soule estreitou os olhos. Pensando que ele queria insistir, o vidente já estava apagando as luzes.

 

O que é isso...?

 

Soule abriu a boca para dizer alguma coisa quando Eugene puxou seu braço.

 

“Apenas vamos embora.”

“Eugene.”

“Vamos.”

 

Soule suspirou e assentiu. Ele deixou Eugene o puxar para fora do prédio. Enquanto os membros mais velhos saíam, os outros membros seguiram o exemplo.

Assim que a porta se fechou, Soule falou.

 

“Acho que aquele lugar é uma farsa.”

 

Viken balançou a cabeça.

 

“Não, Soule. Ele disse que aquele lugar é muito bom.”

“Tudo o que ele disse pareceu sinistro.”

 

Eugene concordou.

 

“É, um pouco.”

 

Soule olhou para o sinal. O dado que parecia com aquele que estava no seu bolso chamou sua atenção.

 

Por algum motivo, ele sentiu que todo o negócio dos Nomes Verdadeiros não era falso.

E então, ele queria perguntar. Se ele pudesse, ele teria perguntado sobre esse dado e o pesadelo.

 

“Nós fomos expulsos, não é?”

“Ele apenas nos queria pra fora.”

“Aquilo feriu meus sentimentos.”

 

Viken deixou escapar um suspiro profundo enquanto comentava,

 

“Eu vou me vingar.”

“Como?”

“Vou dar àquele lugar quatro estrelas.”

 

Eugene riu e envolveu um braço nos ombros de Viken.

 

“De quantas estrelas?”

“Cinco.”

“Qual é a pontuação média dele?”

“Três.”

“Então você vai aumentá-la.”

 

Viken se endireitou e declarou,

 

“Eugene. Geralmente eu nunca dou menos do que cinco.”

“Certo, certo. Viken tem um coração gentil.”

 

Eugene se virou para os membros.

 

“Vamos lá. O empresário deve estar aqui. Soule, alguma ligação?”

 

Soule checou seu telefone. Surpreendentemente, ainda não havia mensagens ou ligações.

 

“Não. Vamos esperar ali dentro, então.”

 

Viken então sugeriu alegremente,

 

“Vamos à uma cafeteria, então! Eu quero tomar algum café gelado!”

“Acho que estou com sede também.”

 

Todos os membros voltaram aos seus humores de sempre. Verificando que todos estavam longe, Soule tirou o dado de seu bolso e o comparou com o símbolo.

 

Eles são bem parecidos.

 

Eu devo voltar lá dentro? Ele ainda deve estar aqui, certo?

Soule hesitou quando Avys chamou por ele ao fundo.

 

“Soule! Vamos lá!”

“Tudo bem. Estou indo.”

 

Soule colocou o dado de volta no seu bolso e se virou. Avys já estava distante.

Andando em direção aos membros, o Nome Verdadeiro ainda permanecia na mente de Soule.

Aquele em que ninguém acredita.

Isso parece uma maldição, de verdade.

 

Só me amaldiçoe no lugar. Ah, acho que já estou amaldiçoado como um idol sem magia. Soule suspirou. Ele se sentia sobrecarregado o bastante sem esse acréscimo. Nada havia sido resolvido e ele se sentiu frustrado.

 

*A Caixa de Pandora é um objeto extraordinário que faz parte da mitologia grega. Trata-se de um caixa onde os deuses colocaram todas as desgraças do mundo, entre as quais a guerra, a discórdia, as doenças do corpo e da alma. Contudo, nela havia um único dom: a esperança.

O mito da Caixa de Pandora explica a primeira mulher criada por Zeus, suas qualidades e suas fraquezas, tal como todos os males existentes no mundo. Desde sua origem, o mito tem um caráter social. Neste caso, a Caixa de Pandora passou a representar a maldade que pode vir dela, a desobediência e a curiosidade que prejudica o ser humano.

 

CAPÍTULO 6 - 

            O MANAGER DK

O tempo voou com suas agendas cheias. A data de lançamento de seu novo álbum finalmente chegou.

Soule encarou os gráficos.

 

Não há nenhum milagre, hein.

 

Soule olhou para Eugene enquanto suspirava.

 

“...”

 

Eugene permaneceu em silêncio enquanto encarava Soule. A atmosfera esfriou imediatamente.

 

“Eugene...”

 

Tentando melhorar os ânimos com a conversa da agenda e seu novo empresário, Soule o chamou. Eugene se manteve em silêncio antes de falar, de repente.

“Acho que farei qualquer coisa para o Star One ter sucesso.”

“Sim...”

 

Eugene foi o primeiro a voltar para o quarto. Soule fitou suas costas e então voltou para os gráficos.

O gráfico na tela do seu telefone permaneceu inalterado.

 

***

 

“Eu cheguei hoje. É um prazer conhecer vocês.”

 

Os membros do Star One encararam o homem a sua frente.

Ele era o novo manager que tomaria conta do grupo, e ele não poderia ser mais diferente do que o manager anterior.

 

Nem um pouco nervoso sobre sua nova posição, ele tinha um sorriso ardiloso, e sua expressão era impenetrável.

Enquanto todos permaneciam estupefatos, Viken sussurrou para Taho.

 

“Nosso novo manager é bem musculoso.”

“É. Ele parece bem atlético.”

 

Soule não poderia concordar mais. Sob a camiseta apertada, ele conseguia ver o contorno de um corpo muscular.

Avys encarava como se estivesse admirado.

 

“Posso tocar no seu braço?”

 

Quando o manager assentiu, Avys imediatamente sentiu os músculos.

 

“Uau, ele é realmente algo.”

“Estou bem confiante sobre a minha capacidade física. Então vocês podem confiar em mim para fazer o trabalho pesado a partir de agora.”

 

A voz grave do manager DK tocou seus ouvidos.

 

Que voz extraordinária. Soule encarou o manager. Ele parecia um cara legal mas por algum motivo, Soule se sentia estranho.

 

É por causa da voz encantadora dele?

 

Não havia nada de notável em seu tom ou seu sotaque. Mas de alguma forma, ela ficou ligada em seus ouvidos e não ia embora.

O Manager DK olhou para Soule e se apresentou.

 

“Você é o líder, não é? Prazer em te conhecer.”

“Ah, prazer em te conhecer também.”

Soule apertou a mão do manager. Como um homem em forma, ele também tinha um aperto firme. Soule puxou sua mão quando notou algo.

Um símbolo estranho cintilou nas costas da mão do manager.

 

Uma tatuagem?

 

Enquanto Soule esfregava seus olhos, o empresário DK lançou um olhar para ele e falou.

 

“Uau. Vocês são todos muito bonitos, não importa quantas vezes eu olhe para vocês. Onde eles encontraram vocês? Todos são esplêndidos. E vocês dançam bem, são gentis...”

“Perdão?”

 

Soule estreitou os olhos enquanto o manager DK divagava. A frase parecia bem desconexa como se o homem estivesse tentando esconder alguma coisa.

 

Ei, espera um minuto. Não importa quantas vezes ele nos veja?

 

Soule poderia deixar passar, mas a divagação repentina do manager e o estranho símbolo o incitaram a prosseguir.

 

“Nós já nos conhecemos antes?”

“Não. Hoje é a primeira vez que nos encontramos.”

 

Soule lançou a ele um olhar duvidoso, e o manager DK acrescentou culpa. Ele parecia bem perturbado, e as palavras saíram em divagações.

 

“Ah, isso quer dizer... hum... Eu estraguei minha apresentação?”

“Não, na verdade.”

“B-bom. De qualquer forma, prazer em conhecê-los. Darei o meu melhor!”

 

Por mais estranha que a situação fosse, Soule não poderia culpar um homem que prometeu fazer o seu melhor. Então Soule apenas assentiu.

Com a apresentação finalizada, eles precisavam seguir com o cronograma. Soule pegou os membros os dirigiu até o estacionamento. Eugene se virou para Soule.

 

“Ele parece um cara legal, não parece?”

“Não. Mas...”

 

Soule estreitou seus olhos e inclinou a cabeça.

 

“Ele parece estranho. Sinto que já o vi antes.”

“Sério?”

“Posso estar só pensando demais. Quem liga se nós já nos encontramos hoje?”

 

O novo manager era o menor de seus problemas.

O manager DK, com seu corte de cabelo curto, sentou no banco do motorista, e Soule olhou silenciosamente.

***

Soule precisava admitir para si mesmo após três horas. O manager DK era a pessoa mais detalhista que ele já conheceu.

Dentro de três horas, o empresário entregou aos cinco membros do Star One pacotes de resfriamento, toalhas, bandagens e água.

 

Ah, eu não deveria deixar meus pensamentos vagarem.

 

Os membros foram pegos na filmagem cansativa do programa, “Game King.” Um programa centrado em um jogo de luta em VR onde ídolos pop usam qualquer meio variando de mágica até punhos nus para lutar um com o outro.

Soule respirou fundo e olhou para a tela.

 

Droga.

 

GAIS.

Eles eram o grupo no topo que eram o completo oposto do Star One.

Seu líder, Keith Em, estava encarando Eugene intensamente, os olhos flamejando.

Assumindo a liderança, ele derrotado Avys, Viken, Taho e Soule. Ele ainda parecia enérgico.

 

“Uau!”

 

A audiência virtual torceu por Eugene e Keith Em.

 

“Eugene...”

 

O barulho foi morrendo, seguido pelo silêncio.

 

Beep.

 

Um bip soou com o começo da luta. Soule se perguntou se o mundo havia finalmente enlouquecido e questionou por que eles tinham que colaborar com essa baboseira. Ao mesmo tempo, assistindo Eugene acelerar, Soule esperava que ele pudesse vencer.

 

Bam.

 

Os orbes de luz de Keith Em derramaram sobre Eugene, mas ele definitivamente evitou todas as pancadas.

 

“Uau... o que é isso?”

“Eugene, ele é incrível! Seres humanos realmente podem fazer isso?”

 

Apesar dos comentários surpresos do MC, Eugene atacou Keith Em com olhos calmos.

 

“Ai!”

 

Swooish.

 

Pensando que ele deu um passo para trás rapidamente, Keith Em jorrou sangue e caiu no chão.

A plateia começou a torcer.

 

“Uau, ele é rápido.”

“Ele realmente possui movimentos ágeis.”

 

Sangue começou a escorrer da espada, juntando-se em uma pequena poça. Os movimentos de Keith Em logo pararam completamente. Ele foi declarado neutralizado.

 

O MC gritou animado para confirmar a vitória fácil.

 

“O vencedor é Eugene do Star One!”

 

***

 

O manager entregou imediatamente a Soule, que parecia bem seco, um pouco de água.

 

“Aqui está, Soule.”

“Obrigado. Ah, está morna.”

“Você não gosta de água gelada, não é?”

 

Tratando os membros como seus irmãos mais novos, o manager DK estava se tornando mais como um irmão mais velho.

 

“Você é atencioso...”

“Eu sou. Mas, uau. O jogo é bem violento.”

“Ah, é um jogo de luta em realidade virtual.”

“Olhe para os gráficos com todo o sangue. Parece bem real. Eles mostram na TV assim?”

 

Soule assentiu enquanto viu Eugene vencendo o próximo oponente. O sangue do outro personagem parecia bem real.

 

“Tudo certo. Eles mostram tudo.”

“Você não acha que o mundo está ficando cada vez mais violento? Nos velhos tempos, eles jamais mostrariam coisas assim.”

“Verdade...”

 

Ele podia ver Eugene vencer. Assistir os outros personagens derramando sangue e caírem no chão, Soule deixou sair um pequeno suspiro. O rosto de Eugene estava contorcido.

 

Eugene...

 

A plateia programada torcia por Eugene, o vencedor, mas os olhos de Eugene estavam abatidos.

Sangue caía profusamente da espada trêmula.

 

E então, Soule ouviu uma voz cortante.

 

“Aquele cara ficou dopado ou o quê?!”

Keith Em, que parecia não ter tido a chance de limpar o seu suor, estava encarando Soule. Qualquer um podia dizer que ele estava apenas jogando bobagens de frustração por ter perdido. Keith Em era arrogante. Ele não tinha vergonha e seus olhos cintilaram com direito violento que pareciam dizer: “Tenho permissão para fazer isso.”

 

“Que tipo de best-"

“Vamos lá.”

 

O manager DK cortou Soule.

 

“O que esse desgraç-“

 

Jogando um olhar incrédulo ao manager DK, Keith Em congelou de repente. Então ele rapidamente se virou e saiu.

 

“...”

 

Soule não comentou a situação ridícula. Ele podia sentir seu calor fazendo cócegas em seus dedos. Mas o conforto que ele ansiava não alcançou seu coração. O jogo era violento demais. Parecia sufocá-lo um pouco.

 

***

 

Brevemente, o outro dia chegou.

Diferente de ontem, havia algo mais divertido reservado para o dia a frente.

 

Era o dia o fanmeeting. As contas das redes sociais de seus poucos fãs estavam zumbindo com conversas sobre ir ao evento de fansign hoje.

 

Soule havia acabado de terminar sua maquiagem. Ele se levantou assim que Avys se aproximou dele.

 

“Soule, você não acha que o manager estava um pouco estranho hoje?”

 

Mesmo querendo refutar isso, Soule tinha que concordar.

 

“Talvez um pouco.”

 

O manager DK, que geralmente era calmo, parecia agitado. Soule perguntou ao Avys,

 

“Aconteceu alguma coisa?”

“Não, nada.”

“Então o que há com ele?”

 

O manager DK havia gritado com a equipe, discutindo que a cerca parecia frágil. Avys pareceu confuso.

 

“De jeito nenhum haverão fãs o bastante pra encher a área.”

“Verdade.”

“Espero que muitos dos nossos I-ON’s venham aqui...”

Então Soule apenas assentiu.

 

“Terminamos cedo.”

“Será um contraste gritante com o GAIS.”

 

Infelizmente, seu evento de fãs estava sobreposto com o do outro grupo. GAIS estava realizando seu evento de fansign em outro prédio.

Porque os horários também estavam sobrepostos, o Star One e o GAIS inevitavelmente iriam se encontrar. Keith Em deu um olhar especialmente sujo como se ainda estivesse bravo com sua derrota pelo Eugene no “Game King.”

Soule se levantou e olhou para fora. Mesmo com um olhar, o volume de fãs do GAIS e os I-ON’s eram incomparáveis.

 

“...”

 

Soule esperava pelo momento em que os I-ON’s não ficaram tão incomodados com essa situação. Mas a esperança logo se transformou em ódio próprio.

Avys observava os fãs com Soule e desabafou.

 

“Há tão poucos deles, Soule.”

“Sim...”

“Acho que são menos do que a última vez.”

 

Soule não conseguia responder Avys. Era verdade que os I-ON’s estavam diminuindo cada vez mais.

 

“Ei, Soule. Nós mal estamos aguentando. O que vai fazer se as coisas ficarem ainda piores?”

 

“...”

 

Com a pergunta grave, Soule se viu sem palavras.

 

Talvez já sabendo por que Soule não iria responder, Avys ficou em silêncio enquanto olhava pra fora, taciturno.

 

***

 

Conforme o Star One continuava com o evento, eles logo perceberam por que o manager estava tão agitado.

 

Soule sorriu enquanto encontrava os olhos de uma fã, mas não conseguia parar de se sentir inquieto.